Qual é o impacto da pirataria de conteúdo científico

O mercado editorial perde US$ 300 milhões por ano como consequência da pirataria de ebooks / dilettantiquity/Renato Cruz
O mercado editorial perde US$ 300 milhões por ano como consequência da pirataria de ebooks / dilettantiquity/Creative Commons

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Baixar um livro em PDF e ler em um celular ou computador é muito fácil.

Na maioria das vezes, basta fazer uma busca pelo nome da obra e entrar em sites que oferecem os arquivos. Ou abrir o arquivo enviado pelo amigo. Em minutos a obra está disponível para leitura gratuitamente.

O que a maior parte das pessoas que realiza esse tipo de ação não se atenta é o grande prejuízo que esta atitude gera na cadeia produtiva editorial.

De acordo com pesquisa recente da Nielsen nos Estados Unidos, a crescente adoção de formatos digitais por consumidores, estudantes e profissionais permitiu o crescimento do download e acesso ilícitos de material protegido por direitos autorais, produzido por editores.

O mercado editorial perde cerca de US$ 300 milhões por ano graças ao download ilegal de ebooks.

Falta de consciência

Georgia Barros, da Elsevier / Divulgação
Georgia Barros, da Elsevier / Divulgação

Outro dado da pesquisa é que mais de 70% daqueles que baixam arquivos ilegais se formaram na faculdade ou têm pós-graduação.

Ou seja, são pessoas de um grau de instrução elevado, mas que geralmente não avaliam antes de consumir qualquer produto que, para que o original fosse produzido, foi necessário muito investimento, pesquisa, preparação etc.

Falta um pouco da consciência de que tudo que é copiado, circulado sem direitos e reproduzido indevidamente impacta em toda a cadeia produtiva – sejam CDs, DVDs, livros etc.

Não é apenas a grande indústria cultural que perde com a pirataria. Na área de ciência, saúde e tecnologia o impacto é grande. E traz consequências ainda mais complexas.

A pirataria de conteúdo científico e tecnológico abala a divulgação de materiais importantes.

Desestimula cientistas e pesquisadores a investir tempo e dedicação para compartilhar e educar, pois não há razão em se esforçar, já que o retorno financeiro se torna menor.

Os recursos perdidos afetam empregos, instituições e até nações, além de limitar o progresso da área médica.

Acesso gratuito

O impacto pode ser ainda maior no futuro. Iniciativas das grandes empresas de conteúdo, como a Research4Life da Elsevier, fornecem acesso gratuito ou de baixo custo a mais de 77 mil revistas científicas.

Outro exemplo é o Centro de Pesquisas do Zika Vírus, que, no auge da epidemia, forneceu acesso sem custos aos profissionais da saúde a materiais de extrema qualidade, que colaboraram para que importantes informações colaborassem com o tratamento dos pacientes em diversos países, incluindo o Brasil.

É importante a consciência de que o consumo não adequado impacta o setor científico e também toda a cadeia de educação.

A pirataria de materiais científicos e tecnológicos pode criar situações que não estão na mente das pessoas ao clicarem no botão de download.

O conteúdo pirateado e falsificado tem impacto além do que é imediatamente óbvio e com consequências de grande alcance.

Permitir que a pirataria continue criará um futuro indesejável.

É importante que as pessoas analisem mais profundamente a questão de como esse futuro pode ser possível e a desvendar todas as coisas positivas que serão perdidas ao longo do caminho para chegar lá.

  • Georgia Barros é gerente de marketing da Elsevier

Disponível em: <http://www.inova.jor.br/2017/09/20/pirataria-conteudo-cientifico/>. Acesso em: 21 set. 2017.

Canais transmitem pirataria pelo YouTube Ao Vivo

O YouTube tem uma das melhores ferramentas anti-pirataria da web, tendo a habilidade de reconhecer músicas e vídeos por meio de algoritmos avançados.

Em outros casos, o serviço ainda é capaz de encontrar conteúdo terrorista com altíssimas taxas de precisão com sua tecnologia de inteligencia artificial.

No entanto, no que se refere a plataforma de vídeos ao vivo, conhecido como “YouTube Ao Vivo”, algo não parece funcionar como o esperado.

Google Discovery flagrou duas transmissões com conteúdo pirateado na página inicial do YouTube, com quase 11 mil pessoas assistindo no total.

É fato que o sistema anti-pirataria do YouTube não funciona sem uma amostra por parte dos detentores de direitos autorais, mas este é um caso explícito.

Desde 2012, o Google pune sites com conteúdo pirata e até remove de sua busca em alguns países. Será que a empresa tomará alguma ação contra a sua própria divisão?

Disponível em: <https://googlediscovery.com/2017/08/25/canais-transmitem-pirataria-pelo-youtube-ao-vivo/. Acesso em: 27 ago. 2017.

Quem está baixando artigos científicos piratas? Todos

Assim que a primavera chegou no mês passado no Irã, Meysam Rahimi sentou-se em seu computador da universidade e imediatamente se deparou com um problema: como obter os trabalhos científicos que precisava. Ele teve que escrever uma projeto de pesquisa para o doutorado em engenharia na Universidade de Tecnologia Amirkabir em Teerã. Seu projeto transpõe tanto operações de gestão e economia comportamental, por isso Rahimi teve um lote de terreno para cobrir.

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Veja no artigo publicado hoje na Science, Who’s downloading pirated papers? Everyone, a continuidade dessa história e outras sobre o Sci-Hub, o controverso site criado pela pesquisadora Alexandra Elbakyan que disponibiliza milhões de artigos científicos de inúmeras editoras.